quinta-feira, 9 de julho de 2015

A evolução das paredes, do crime e do medo


 


A sociedade evolui, e sei que não falo nada de novo, algo inovador, mas o grande questionamento que me faço é o custo dessa evolução?
Quais são os elementos que alteram o estado das coisas, os motivadores de sentido, que não admitem a inércia e fazem com que o estável se torne instável, direcionando o fluxo da matéria para o progresso, ou não!
Sempre que permanecemos em nossa zona de conforto, nos sentimos agredidos quando somos obrigados a alterarmos o nosso estado agradável de consciência, sendo dificil entendermos que todo o ecossistema vive em constante movimento, mas enquanto movimenta apenas o que não nos toca, aceitamos o seu movimento, mas quando interage diretamente conosco, temos a iniciativa de sermos relutantes a alteração.
Infelizmente nos dias atuais, no que concerne, as legislação vigente, vivemos estrangulados por normativas que tendem a regrar cada vez mais as relações interpessoais, ainda mais no que diz respeito aos enclausurados penais e os agentes relacionados a trafico de entorpecentes, levando as raias da loucura a sociedade e os operadores do Direito.
Desde os primórdios dos tempos, não quando não havia a consciência do certo ou do errado, mas sim quando começou a existir a coexistência em grupos, quando se iniciou a convívio em grupos, onde se absorveu a concepção de segurança, de produção, de força e de trabalho, Sendo que em conjunto a isso também se iniciou a busca pelo poder por intermédio da força, da submissão dos mais fracos, como também do objetivo coletivo se sobrepondo ao individual.
Mas e onde despejar o que não nos agrada?
O que fazer com o que nos coloca em perigo?
O crime, assim como o medo, atinge a todas as rodas da sociedade, vivemos em uma constante ameaça, seja por pessoas “anormais” que não se importam em fazer dano a alguém ou por produtos ilícitos que, mesmo sem serem produzidos em território nacional movimentam milhões de reais.
A sociedade não suporta mais produzir para alimentar esse mercado de “anormais”, chamados assim , pois a concepção de normalidade seria a produção de seu próprio sustento, por simples exclusão de sentidos, se o sentido normal da vida é produzir para se manter, aquele que não o faz, é “anormal”.
Assim como é a sociedade são as paredes, que cresceram a medida que a sociedade evoluiu, buscando proteger a família, porção menor mas nos mesmos moldes, dos “anormais” que a todo momento cogita obter vantagem.
Tais elementos da construção trata de ser a primeira barreira de proteção de qualquer construção, tanto para a demarcação do território como para a sua segurança, assim também o é nos estabelecimentos prisionais, sendo a parte mais externa muito maior que as partes internas, mas sempre com o mesmo escopo, delimitar o espaço para a manutenção da segurança, tudo por causa do medo que os “anormais “ causam, este que também é o resultado da evolução das relações humanas.
Todos temos gatilhos emocionais que nos despertam nos momentos de perigo, mas para alguns, a submissão é um fator aceitável, talvez pelo próprio instinto de preservação da espécie, num constante desejo de prolongar a vida sem exposição a riscos, mas mesmo com tal desejo, o sistema não deixa de ser perigoso, mesmo assim, se faz necessário que o Estado mantenha uma parede virtual que mantenha a segurança , sempre buscando o bem coletivo, fator que na teoria se faz perfeito, mas que na prática deixa muito a desejar.
O engraçado que não importa o tema que se busque trabalhar no que diz respeito a segurança pública ou privada, sempre caímos no fator humano, mesmo que tenhamos a única ideia de alterar a legislação vigente, sempre caímos na falta de material humano suficiente para a demanda criminosa que possuímos, e o mais estranho, é a incapacidade dos gestores públicos de se darem conta disso.
Mesmo que coloquemos paredes de 15 metros precisaremos de material humano para abrir os portões e controlar o fluxo, senão seriam apenas esquifes, teríamos que entender que sem material humano capacitado não há a mínima possibilidade de reabilitar os “anormais”, pois o que mantém o leão na jaula quando a porta está aberta é o medo do chicote do domador, por isso recebe esse nome, pois tem a função de domar as vontades do selvagem, que sempre viveu sob a sua vontade, fazendo o que bem lhe entendesse, a jaula não prende por si só, é necessário que se tenha medo de sair.
Em que pese a capacidade que se tem em admitir o mínimo como forma aceitável de vida, em relação a segurança pública, isso já não se faz mais possível, quando possuímos estabelecimentos totais com população maior que muitas cidades do interior do Estado, corremos o risco de piorar ainda mais quando não evoluirmos a forma de pensar sobre o sistema prisional e alterarmos a capacidade de resposta contra as agressões do cotidiano.
Se faz imprescindível que antes de alterar qualquer forma de cumprimento de pena, seja para situação mais benéfica, seja para mais gravosa, é imperioso que se altere o sistema de resposta do Estado, não há como imaginar que um preso que durma na cadeia (regime semiaberto) será menos controlado do que aquele que estará em liberdade, ou que a venda controlada de maconha será respeitada por aquele “usuário” que faz da sua casa local de encontro , ou mais, que o criminoso adulto vai deixar de usar menores havendo a diminuição na maioridade penal.
O que vai fazer o preso deixar de cometer crimes quando no semiaberto é o medo de perder tal benefício, o que vai fazer o “usuário” deixar de usar a sua casa para eventos coletivos é o medo de perder o conceito de usuário e com relação ao menor, este é o mais belo exemplo de que o sistema tem que ser alterado, pois o que vai fazer o menor deixar de cometer crimes é o medo de ser considerado menor, pois para o induzidor, não faz diferença alguma, mas para o menor sim, para este o famoso “não dá nada” deixa de existir e com isto o medo aparece.
E é o medo que mantém a adrenalina sob controle, já que o Estado não consegue, quando não for mais possível o controle, será necessário o material humano qualificado para que exerça a sua função, e se não reforçarmos o sistema, de nada adiantará o peso da lei!