A sociedade evolui, e sei
que não falo nada de novo, algo inovador, mas o grande
questionamento que me faço é o custo dessa evolução?
Quais são os elementos
que alteram o estado das coisas, os motivadores de sentido, que não
admitem a inércia e fazem com que o estável se torne instável,
direcionando o fluxo da matéria para o progresso, ou não!
Sempre que permanecemos
em nossa zona de conforto, nos sentimos agredidos quando somos
obrigados a alterarmos o nosso estado agradável de consciência,
sendo dificil entendermos que todo o ecossistema vive em constante
movimento, mas enquanto movimenta apenas o que não nos toca,
aceitamos o seu movimento, mas quando interage diretamente conosco,
temos a iniciativa de sermos relutantes a alteração.
Infelizmente nos dias
atuais, no que concerne, as legislação vigente, vivemos
estrangulados por normativas que tendem a regrar cada vez mais as
relações interpessoais, ainda mais no que diz respeito aos
enclausurados penais e os agentes relacionados a trafico de
entorpecentes, levando as raias da loucura a sociedade e os
operadores do Direito.
Desde os primórdios dos
tempos, não quando não havia a consciência do certo ou do errado,
mas sim quando começou a existir a coexistência em grupos, quando se
iniciou a convívio em grupos, onde se absorveu a concepção de
segurança, de produção, de força e de trabalho, Sendo que em
conjunto a isso também se iniciou a busca pelo poder por intermédio
da força, da submissão dos mais fracos, como também do objetivo
coletivo se sobrepondo ao individual.
Mas e onde despejar o que
não nos agrada?
O que fazer com o que
nos coloca em perigo?
O crime, assim como o
medo, atinge a todas as rodas da sociedade, vivemos em uma constante
ameaça, seja por pessoas “anormais” que não se importam em
fazer dano a alguém ou por produtos ilícitos que, mesmo sem serem
produzidos em território nacional movimentam milhões de reais.
A sociedade não suporta
mais produzir para alimentar esse mercado de “anormais”, chamados
assim , pois a concepção de normalidade seria a produção de seu
próprio sustento, por simples exclusão de sentidos, se o sentido
normal da vida é produzir para se manter, aquele que não o faz, é
“anormal”.
Assim como é a sociedade
são as paredes, que cresceram a medida que a sociedade evoluiu,
buscando proteger a família, porção menor mas nos mesmos moldes,
dos “anormais” que a todo momento cogita obter vantagem.
Tais elementos da
construção trata de ser a primeira barreira de proteção de
qualquer construção, tanto para a demarcação do território como
para a sua segurança, assim também o é nos estabelecimentos
prisionais, sendo a parte mais externa muito maior que as partes
internas, mas sempre com o mesmo escopo, delimitar o espaço para a
manutenção da segurança, tudo por causa do medo que os “anormais
“ causam, este que também é o resultado da evolução das
relações humanas.
Todos temos gatilhos
emocionais que nos despertam nos momentos de perigo, mas para alguns,
a submissão é um fator aceitável, talvez pelo próprio instinto de
preservação da espécie, num constante desejo de prolongar a vida
sem exposição a riscos, mas mesmo com tal desejo, o sistema não
deixa de ser perigoso, mesmo assim, se faz necessário que o Estado
mantenha uma parede virtual que mantenha a segurança , sempre
buscando o bem coletivo, fator que na teoria se faz perfeito, mas que
na prática deixa muito a desejar.
O engraçado que não
importa o tema que se busque trabalhar no que diz respeito a
segurança pública ou privada, sempre caímos no fator humano, mesmo
que tenhamos a única ideia de alterar a legislação vigente, sempre
caímos na falta de material humano suficiente para a demanda
criminosa que possuímos, e o mais estranho, é a incapacidade dos
gestores públicos de se darem conta disso.
Mesmo que coloquemos
paredes de 15 metros precisaremos de material humano para abrir os
portões e controlar o fluxo, senão seriam apenas esquifes, teríamos
que entender que sem material humano capacitado não há a mínima possibilidade de reabilitar os “anormais”, pois o que mantém o
leão na jaula quando a porta está aberta é o medo do chicote do
domador, por isso recebe esse nome, pois tem a função de domar as
vontades do selvagem, que sempre viveu sob a sua vontade, fazendo o
que bem lhe entendesse, a jaula não prende por si só, é necessário
que se tenha medo de sair.
Em que pese a capacidade
que se tem em admitir o mínimo como forma aceitável de vida, em
relação a segurança pública, isso já não se faz mais possível,
quando possuímos estabelecimentos totais com população maior que
muitas cidades do interior do Estado, corremos o risco de piorar
ainda mais quando não evoluirmos a forma de pensar sobre o sistema
prisional e alterarmos a capacidade de resposta contra as agressões
do cotidiano.
Se faz imprescindível
que antes de alterar qualquer forma de cumprimento de pena, seja para
situação mais benéfica, seja para mais gravosa, é imperioso que se
altere o sistema de resposta do Estado, não há como imaginar que um
preso que durma na cadeia (regime semiaberto) será menos controlado
do que aquele que estará em liberdade, ou que a venda controlada de
maconha será respeitada por aquele “usuário” que faz da sua
casa local de encontro , ou mais, que o criminoso adulto vai deixar
de usar menores havendo a diminuição na maioridade penal.
O que vai fazer o preso
deixar de cometer crimes quando no semiaberto é o medo de perder tal
benefício, o que vai fazer o “usuário” deixar de usar a sua casa
para eventos coletivos é o medo de perder o conceito de usuário e
com relação ao menor, este é o mais belo exemplo de que o sistema
tem que ser alterado, pois o que vai fazer o menor deixar de cometer
crimes é o medo de ser considerado menor, pois para o induzidor, não
faz diferença alguma, mas para o menor sim, para este o famoso “não
dá nada” deixa de existir e com isto o medo aparece.
E é o medo que mantém a
adrenalina sob controle, já que o Estado não consegue, quando não
for mais possível o controle, será necessário o material humano
qualificado para que exerça a sua função, e se não reforçarmos o
sistema, de nada adiantará o peso da lei!
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